sábado, 27 de dezembro de 2008

Drive

(Incubus)

Sometimes
I feel the fear of uncertainty stinging clear
And I can't help but ask myself how much
I'll let the fear take the wheel and steer.
It's driven me before, and it seems to have a vague,
Haunting mass appeal.
But lately I'm beginning to find that
I should be the one behind the wheel.

Whatever tomorrow brings I'll be there
With open arms and open eyes, yeah.
Whatever tomorrow brings I'll be there,
I'll be there.

So if I decide to waiver my chance
To be one of the hive
Will I choose water over wine
And hold my own and drive? oh oh oh oooh.
It's driven me before
And it seems to be the way
That everyone else gets around.
But lately I'm beginning to find that
When I drive myself my light is found.

Whatever tomorrow brings I'll be there
With open arms and open eyes, yeah.
Whatever tomorrow brings I'll be there,
I'll be there...

Would you choose water over wine....
Hold the wheel and drive.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Aos meus amigos!

" Uma maneira muito importante de ultrapassar a nossa tristeza é retirá-la do seu isolamento e partilhá-la com alguém que a possa compreender. Muitas das nossas dores ficam por revelar - mesmo aos nossos amigos mais íntimos. Quando nos sentirmos sós, vamos ter com alguém em quem confiamos e digamos-lhe: "Sinto-me só, preciso do seu apoio e companhia". Quando nos sentirmos ansiosos, emocionalmente carentes, indignados ou aborrecidos, tenhamos a coragem de pedir a um amigo que fique conosco e compreenda as nossas penas. Com demasiada freqüência pensamos ou dizemos: "Não quero aborrecer os meus amigos com os meus problemas. Eles já têm problemas de sobra". Mas a verdade é que damos uma honra aos nossos amigos ao partilhar as nossas lutas com eles. Não somos nós os primeiros a dizer aos amigos que nos tenham escondido os seus sentimentos e vergonhas: "Por que não me disse, por que é que conservou esse segredo durante tanto tempo?". Obviamente, nem todos podem entender as nossas penas secretas. Mas acredito que, se realmente quisermos crescer em maturidade espiritual, Deus nos enviará os amigos de que necessitamos. Muitos dos nossos sofrimentos derivam não tanto da nossa condição de dor, mas do nosso sentimento de solidão no meio do sofrimento. Muitas pessoas que sofrem de dependência - quer seja do álcool, quer seja das drogas, do sexo ou da comida - encontram o primeiro alívio quando são capazes de partilhar o seu sofrimento com outros e descobrem que realmente são escutadas. Os muitos programas de "doze passos", por exemplo, o aplicado nos Alcóolicos Anônimos, são um poderoso testemunho da verdade segundo a qual o partilhar os nossos sofrimentos é o começo da cura. Aí se pode constatar a relação íntima que pode haver entre tristeza e alegria. Quando descubro que já não estou sozinho em minha luta e quando começo a experimentar uma nova "solidariedade na fraqueza", então a verdadeira alegria pode jorrar precisamente no meio da minha tristeza. Mas não é fácil sair do isolamento. De algum forma e por algumas razões, queremos sempre resolver os nossos problemas por nós mesmos. Mas Deus nos colocou uns ao lado dos outros para construir uma comunidade de amor recíproco na qual é possível descobrir em grupo que a alegria não é só para os outros, mas também para nós. "

Henry Nouwen

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O cavalo e o Cordeiro.

Ainda não atingi os objetivos preconizados por nossa cultura. Não me formei em absolutamente nada, não sou doutor, nem mestre em coisa alguma, nem sequer bacharel eu sou - não tenho diplomas. Não sou popular, não tenho status, dinheiro e nem poder e não sou influente. Pouca gente sabe que existo, e mesmo esses, que tem notícia da minha existência, em sua maioria não se importam. Não tenho também muitos amigos, mas os que tenho são bons. Já li um bocado de livros, mas nunca publiquei nenhum...

No entanto, tenho a benção de um olhar diferente, fruto de sofrimentos agudos e questionamentos profundos, que existem em mim desde a mais tenra infância. Ao contrário do que julgam alguns, não sou arrogante. Tenho um coração aberto pra alegrar-me com os que se alegram e partilhar o pranto dos que choram. Sou sensível ao choro, pois muitas vezes já chorei sozinho, sem ninguém que me enxugasse as lágrimas e conheço bem seu gosto salgado. Conheci também a doçura, de "anjos" que não me deixaram amargar, que até me mimaram bastante durante um certo período da vida: meus avós - que sempre foram mais do que pais.

Conheci o pânico como síndrome e a depressão como companheira de jornada que, fiel, raramente se ausentou durante o curso de meus anos de adolescência, e até em parte de minha infância. Conheci a solidão - e o sentir-me só - praticamente desde que tornei-me consciente de mim mesmo, e toda a dor que acompanha o sentimento de uma profunda inadequação aos padrões do mundo. Empenhei-me em procurar respostas e virei profissional na arte de mergulhos singulares, em apnéia, mergulhei nos livros e pra dentro de mim mesmo, não raras vezes, em atitudes suicidas, que, de quando em vez, materializavam-se também no mundo externo. Faltou-me fôlego em muitas ocasiões.

Conheci a Deus, primeiro como um vaga saudade, que não se sabe ao certo de que, ou de quem, e que como toda saudade, traz consigo angústia e inquietude pra alma. Conheci a Deus como objeto de busca, como alguém de quem, como Jó, eu ouvira apenas falar. Conhecia-o, na melhor das hipóteses, tão somente como se conhece, por alguma fotografia, um lugar em que nunca se esteve. Experimentei o que julgava ser sua ausência, já que eu por muito tempo não o percebi, e chguei ao ponto de confessar-me ateu. Que angustia vivi nesses tempos, por desejar intimamente Aquele ao qual, paradoxalmente, eu negava, negando assim a própria esperança.

Mas um dia, a exemplo de um homem de Tarso - que eu alias costumava criticar, tendo por base a obra de Nietzsche - ironicamente ouvi também a Voz e vi também a Luz, e assim, momentaneamente cego por sua intensidade, caí também do cavalo. Um cavalo grande, garboso, altivo, mas também assustado e fugitivo, que cortava à galope os campos em direção aos becos escuros, meu animal de estimação à época: Prepotência, era esse o seu nome.

Então, já sem meu cavalo, tendo que andar a pé e bastante confuso, tive a dimensão de minha pequenez, e por outro lado, me soube infinitamente amado. Perdi o cavalo, mas ganhei o Cordeiro, que me amou, e foi imolado em meu favor. Desde então, em sua mansidão e leveza, Ele tem me ensinado, a cada dia, a caminhar novamente, sujando os pés no chão poeirento da vida, em comunhão e humildade, na companhia de amigos-irmãos, pelo caminho eterno que só Ele é, e que nos leva de volta pra casa.

Otto

Perdizer - São Paulo