sábado, 27 de dezembro de 2008
Drive
Sometimes
I feel the fear of uncertainty stinging clear
And I can't help but ask myself how much
I'll let the fear take the wheel and steer.
It's driven me before, and it seems to have a vague,
Haunting mass appeal.
But lately I'm beginning to find that
I should be the one behind the wheel.
Whatever tomorrow brings I'll be there
With open arms and open eyes, yeah.
Whatever tomorrow brings I'll be there,
I'll be there.
So if I decide to waiver my chance
To be one of the hive
Will I choose water over wine
And hold my own and drive? oh oh oh oooh.
It's driven me before
And it seems to be the way
That everyone else gets around.
But lately I'm beginning to find that
When I drive myself my light is found.
Whatever tomorrow brings I'll be there
With open arms and open eyes, yeah.
Whatever tomorrow brings I'll be there,
I'll be there...
Would you choose water over wine....
Hold the wheel and drive.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Aos meus amigos!
Henry Nouwen
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
O cavalo e o Cordeiro.
No entanto, tenho a benção de um olhar diferente, fruto de sofrimentos agudos e questionamentos profundos, que existem em mim desde a mais tenra infância. Ao contrário do que julgam alguns, não sou arrogante. Tenho um coração aberto pra alegrar-me com os que se alegram e partilhar o pranto dos que choram. Sou sensível ao choro, pois muitas vezes já chorei sozinho, sem ninguém que me enxugasse as lágrimas e conheço bem seu gosto salgado. Conheci também a doçura, de "anjos" que não me deixaram amargar, que até me mimaram bastante durante um certo período da vida: meus avós - que sempre foram mais do que pais.
Conheci o pânico como síndrome e a depressão como companheira de jornada que, fiel, raramente se ausentou durante o curso de meus anos de adolescência, e até em parte de minha infância. Conheci a solidão - e o sentir-me só - praticamente desde que tornei-me consciente de mim mesmo, e toda a dor que acompanha o sentimento de uma profunda inadequação aos padrões do mundo. Empenhei-me em procurar respostas e virei profissional na arte de mergulhos singulares, em apnéia, mergulhei nos livros e pra dentro de mim mesmo, não raras vezes, em atitudes suicidas, que, de quando em vez, materializavam-se também no mundo externo. Faltou-me fôlego em muitas ocasiões.
Conheci a Deus, primeiro como um vaga saudade, que não se sabe ao certo de que, ou de quem, e que como toda saudade, traz consigo angústia e inquietude pra alma. Conheci a Deus como objeto de busca, como alguém de quem, como Jó, eu ouvira apenas falar. Conhecia-o, na melhor das hipóteses, tão somente como se conhece, por alguma fotografia, um lugar em que nunca se esteve. Experimentei o que julgava ser sua ausência, já que eu por muito tempo não o percebi, e chguei ao ponto de confessar-me ateu. Que angustia vivi nesses tempos, por desejar intimamente Aquele ao qual, paradoxalmente, eu negava, negando assim a própria esperança.
Mas um dia, a exemplo de um homem de Tarso - que eu alias costumava criticar, tendo por base a obra de Nietzsche - ironicamente ouvi também a Voz e vi também a Luz, e assim, momentaneamente cego por sua intensidade, caí também do cavalo. Um cavalo grande, garboso, altivo, mas também assustado e fugitivo, que cortava à galope os campos em direção aos becos escuros, meu animal de estimação à época: Prepotência, era esse o seu nome.
Então, já sem meu cavalo, tendo que andar a pé e bastante confuso, tive a dimensão de minha pequenez, e por outro lado, me soube infinitamente amado. Perdi o cavalo, mas ganhei o Cordeiro, que me amou, e foi imolado em meu favor. Desde então, em sua mansidão e leveza, Ele tem me ensinado, a cada dia, a caminhar novamente, sujando os pés no chão poeirento da vida, em comunhão e humildade, na companhia de amigos-irmãos, pelo caminho eterno que só Ele é, e que nos leva de volta pra casa.
Otto
Perdizer - São Paulo
sábado, 17 de maio de 2008
A falta
Isso tudo dá à vida um tom de espera, só que a vida não espera, ela passa, quem espera sou eu, e acho que a vida não liga. E será que algém liga?
O que será que eu espero? Às vezes, confesso, nem eu sei direito. Espero que tudo seja mais...mais o quê? Penso as coisas de maneira tão intensa, que me decepciono com a realidade, será que não sei olhar pra ela? Ou sou viciado no impossível? Talvez eu interfira muito pouco no processo e isso é que me deixe frustrado. Não sei a resposta! E parece que sei cada vez menos, mesmo que sempre aprenda mais...
Hoje, não tenho motivos especiais pra escrever: nenhum fato novo, nenhum sentimento sublime, nenhum motivo nobre, nenhuma realização. Nada, em fim, do que me faz falta. Talvez a falta, sim a falta, de algo que eu nem sei bem o que é...
Otto
Curitiba - Paraná
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Cansado (de desamor)
E mais ainda de religiosos
De um sacro não divino
Sagrado-tradicional
De caixas de tijolos
Que chamam “casas de Deus”
De legalismos-sem-Graça
De ufanismos, proselitismos e triunfalismos.
E de toda essa des-Graça
Estou farto de gente fugitiva
Que enche refúgios dominicais
E que tem medo do próximo
Que tem medo de Deus
Narcisistas santarrões
Que pensam ser pecado
Ir além do próprio umbigo
Viver é pecado pra eles
Acham feio e sujo tudo o que não os espelha
E espelhos já não os servem de nada
Pois estão cegos e guiando outros
Estou farto de tudo o que não aproveita.
De tudo o que é desamor.
Otto
Curitiba - Paraná
terça-feira, 4 de março de 2008
Complicado
Complicados somos eu e você,
Complicados são todos os que nos rodeiam
Complicados, não estamos sós
Complicado é o que se vê
Complicados sentires que nos permeiam
Otto
Curitiba - Paraná
De olhos abertos
Mas as coisas não me controlam também
E nem só por que não tenho asas,
Me impeço de voar sempre além
Não é absurdo pensar o que penso
Mais absurdo seria perder esse senso
De que o sonho que se realiza
Traz também consigo uma brisa
Que acalma o que fora tormento
Novos problemas estão sempre à mesa
Mas não tomarão consigo a beleza
Que conserva-me os olhos abertos
E não há nada, por certo
Que mantenha em mim a tristeza
Sei que não sou infálível
Mas posso contemplar o impossível
Pelo simples fato de ser eu um rebento
D'Aquele que está sempre atento
Ainda que seja invisível...
Otto
Curitba - Paraná
Imaginário
M eu mundo
A lma minha
G racejo
I rrestrito
N ascendo
A fllito
R efestelado
I nquieto
O rdinário
Gratidão
Otto
Niterói - Rio de Janeiro
segunda-feira, 3 de março de 2008
DEFICIÊNCIAS
"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui..
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:
"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.
Amor, teologia e o caminho
Caminho no qual se olha pra dentro sem egoísmo, e se exterioriza sem vaidade. Caminho que confronta a cada um, revelando a miséria para que se faça perceber a Graça. Caminho de gratidão, de humildade, de saber-se nada, e ainda assim, se saber amado. Caminho da Glória que se revela na fraqueza, do paradoxo que mais parece loucura.
E ainda, do estar-se preso por vontade, como bem disse Camões - escravidão voluntária! Vida por fé, na morte de cruz, ressurreição, remição, renovo, vinho novo. Em fim, liberdade! É ter Deus por pastor "de mim" e ser suprido para de nada achar falta. É tudo poder na força do Pai, pelo Filho, sendo também feito filho. É ser voz que clama no deserto, por já não viver em deserto de alma. É em tudo dar glória, pra que toda a glória seja dada somente a Ele.
Otto
Curitiba - Paraná
O inverso de mim em mim
Unidos na mesma figura, vastidão e pequeneza deste mesmo ser.
O cheiro podre da minha mazela humana mistura-se ao Teu suave olor.
É a beleza da Graça que torna inegável minha própria desgraça e a faz perecer
Pra que eu não pereça, contudo, desse mal agudo do meu existir.
Sou um, e sou mais no mesmo instante em que, eu, não sou nada.
Sou imagem distorcida e pálida, figura esquálida d'Aquele que é Vida.
Sou fragmento do Ser em meu ser, sou viajante, e Tu: a estrada.
Tu és a porta de entrada, e fora de Ti não se encontra saída.
Se não vens Tu, comigo, impossível é a minha chegada e inútil a minha partida.
Sou um incessante processo a existir em Teu infinito universo.
Existo em Ti e Tu em mim resplandeces, apesar de meu ser tão opaco.
Habitas em mim, ainda que seja eu Teu inverso.
Adotas-me então e me amas, mesmo quando de mim me escapo.
Mas de ti eu não fujo, não posso e não quero, pois em Ti estou e espero.
Tu és meu descanso, eterno acalanto e meu próprio começo.
E assim, em Ti, é que em fim me encontro e me acabo.
Pois não há fim pra mim, vivo pra sempre, quando em Ti eu faleço.
Ainda que não possa eu levar-Te os desejos a cabo.
Tu me renovas, mesmo quando de Ti eu me esqueço.
Otto
Curitiba - Paraná
Não-religião
Missão
Não sou um religioso!
Liturgias não me alimentam...
Sou um pecador
Tentando seguir os passos do Santo
Redimido a preço de sangue
As custas da inocência
É pela Graça que estou de pé
E somente por ela é que eu vivo
Pela força da mão que me guia...
Não pela minha
Não vim ao mundo pra reter
Vim para doar
Como Aquele a quem sirvo,
Vim para servir
Pois a vontade é do Altissimo
E a minha....
É só um mal desnecessário
Otto
Niterói - RJ
Separando o mundo do "mundo"
"Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3:16).
"Por que Deus amou o mundo..."
Sim, meu amigo, Deus amou – e ainda ama, posto que é imutável – o mundo, a ponto de sacrificar seu próprio Filho em favor dele. Filho este que viveu no mundo - para o mundo - e que também amou o mundo e dele se compadeceu. Já é tempo de limparmos as lentes embaçadas das doutrinas a fim de separarmos o "mundo" do mundo.
Vergonhosamente temos nos acovardado na tarefa de levar a Boa Nova da Graça da qual somos alvo por meio de Cristo Jesus, e pervertido a realidade dessa tarefa em virtude de não sabermos separar o mundo que Deus amou e ama, do mundo que Deus simplesmente abomina.
Uma igreja que tem tanto medo de se "contaminar" com um mundo que ela nem sabe definir, só poderia mesmo acabar tecendo pra si casulos de autopresunção e negligenciando a tarefa que lhe foi proposta. Nosso ambiente eclesiástico, tão tomado de legalismo com ares de graça e tão confuso em suas elucubrações teológicas, que não passam de construções mentais humanas a respeito de uma divindade, que acaba por ser definida como mero reflexo de suas próprias vaidades.
Aí, justamente nesse ponto, é que salta a vista o paradoxo: de tanto fugir do mundo, a igreja se torna vitima de sua própria miséria humana, e de tudo o que Deus desaprova, sucumbindo aos males do mundo, que na verdade não estão "no mundo" e sim na condição caída de cada ser humano. Não importando se este ser humano se encontra dentro ou fora de um templo construído de tijolos e argamassa. Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, assim nos ensina Paulo, em sua carta aos Romanos.
Quando a igreja passa a negligenciar essa realidade e pretender-se superior aos demais pecadores por algum motivo outro senão o da própria experiência da graça de Deus, justamente aí, é que abre suas portas ao "mundo" do qual deveria procurar se apartar. O mundo das contendas de palavras, do orgulho, das disputas políticas que nada são além de pura vaidade e vontade de poder, do mundo que está cheio de si mesmo e de sua sabedoria humana, do mundo egoísta e soberbo que se vê como fim em si mesmo.
Acaba-se desenvolvendo apenas uma nova "casta" cultural, com uma linguagem própria (o evangeliquês) - uma "moda" própria (a terrível moda evangélica) e tantas outras características que pra nada aproveitam, senão para distanciá-la dos que ela deveria alcançar.
Enquanto a igreja equivocadamente se ocupa de manter-se distante daqueles a quem foi destinada a contemplar, e se engendra em sua miserável soberba e falta de fé – sim, pois não há outro motivo para temer o contato com o mundo que clama por redenção senão a absoluta falta fé no Espírito de Deus, que é em todo tempo um guia, protetor e consolador para todos aqueles que estão em Cristo – o mundo a quem Deus amou vai sendo condenado apesar de tudo já ter sido feito por Deus para que assim não fosse.
Caminhando assim não há senão um desvio do caminho, e mais que isso a negação do sacrifício de Cristo e de sua conseqüente graça redentora, já que por meio desse caminho torto, muitas pessoas deixam de tomar conhecimento Dele como Senhor e Salvador individual. Se aqueles que deveriam viver o amor de Deus a fim de refletir a glória da salvação e vida em abundância – pois para isso foram eleitos – chafurdam em trevas, quem então poderá ser testemunha viva da Verdade que está em Cristo?
Curitiba - Paraná